Muito embora sua ideologia seja correta, o ESG tem sido apropriado pelas empresas para promover uma publicidade desconectada da realidade e desonesta a fim de preencher uma agenda sem nenhum compromisso. É a publicidade pela publicidade. Muito além disso, falta interação com o ambiente brasileiro, pois a ideia desconsidera as obrigações impostas pela lei.
O conceito ESG (Environmental, Social, and Governance ou Ambiental, Social e Governança) é um termo cunhado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em meados de 2004 para envolver o setor empresarial em compromissos ambientais e sociais.
A proposta da ONU para o segmento empresarial era mostrar que o compromisso com a preservação ambiental, com a comunidade e com a governança — especialmente alinhado às exigências legais — poderia trazer diferenciais competitivos às empresas.
A pauta ambiental, antes vista sob a ótica filantrópica, passou a ser um fator crítico de sucesso nas análises de investimentos das mega-corporações.
Muito embora sua ideologia seja correta, o ESG tem sido apropriado pelas empresas para promover uma publicidade desconectada da realidade, a fim de preencher uma agenda sem nenhum compromisso. É a publicidade pela publicidade.

O problema do ESG é que ele foi desenvolvido e desenhado no exterior pensando na realidade de lá, não daqui, com um nível de organização alheio ao ambiente de negócios do Brasil.
Além da verdade é que, poucos entendem o que é isso e já há uma ideia muito clara sobre publicidade enganosa, de maneira que o termo enseja uma pasteurização de diversos temas, ambiental, social e de governança, num só.
Em sua base, o ESG carece de obrigações legais das empresas, sobretudo das construtoras, assim, sua essência parte de um princípio liberal, onde as obras fazem o mínimo por livre e espontânea vontade.
O Brasil possui mais de 3100 lixões ativos operando com a recepção de lixo e entulho, em grande parte oriundos dos grandes geradores, e nenhuma agenda voltada a esse problema.

Esses lixões, que operam tranquilamente sem ao menos sequer serem identificados, recebem resíduos que eventualmente passam pelos sistemas de controle dos estados, como CTR ou MTR.
Ou seja, o órgão público mal consegue controlar os resíduos, não dispõe de uma agenda voltada aos reais problemas dos resíduos sólidos e ignora as demandas das organizações voltadas à reciclagem dos resíduos.
Ainda, essa ideia não consegue estimular os órgãos públicos, muito menos convencer as empresas. É simplesmente um adesivo que esconde eventuais falhas.
Onde aplicar o ESG no Brasil quando o gerador é responsável legal pelo resíduo e usa a sua obrigação como plataforma de publicidade?
Como aplicar o ESG, nesta caso o G de Governança, se é praxe as construtoras trabalharem para atacarem a legislação de proteção ambiental?
Na administração pública essa agenda serve para maquiar a ausência de pauta objetiva, pois preencher o tempo dos funcionários públicos com um tema que não bota o dedo na ferida é cômodo e confortável, é estratégico para quem não quer se indispor com o poluidor.

É possível afirmar que o conceito ESG não foi assimilado, sobretudo porque não foi feito para ser. Ostentar três letras no perfil do linkedin não vai transformar a empresa em salvadora do mundo.
É inconcebível a ideia de as empresas trocarem a legislação e suas obrigações por um negócio qualquer lastrado em modais suscetíveis às constantes crises e a uma infinita possibilidade de fraudes.
Esses termos, assim como uma agenda fashion criada para uma realidade muito distante, não chega na ponta, não consegue mudar a realidade dos resíduos da construção e, seguramente ,não agrega nas usinas de reciclagem de entulho.
ESG é um engodo, uma isca, simples e fácil para vender uma ideia abstrata e esconder a realidade. É ambientalismo fashion.
Não há empresa que adote o ESG por achar que isso será um diferencial competitivo, pois, na construção civil, paradoxalmente, a diferença para aquelas construtoras que contratam caçamba que enviam os resíduos para lixões e aquelas que se comprometem com metas ambientais é mínima.
Mas afinal quais organizações podem usar esse conceito, já que não há uma autoridade que regule isso?
O ESG poderia ser uma estratégia para acabar com as fraudes ambientais, sobretudo àquelas empresas que falsificam documentos para elevar seus créditos nas bolsas de valores, mas não, o conceito é recebido de forma subserviente sem considerar a realidade nacional.
Na prática, essas siglas não contribuem com o desenvolvimento ambiental e são sequestradas pelas empresas unicamente para enriquecer a comunicação.



