O Geresol (Gerenciamento de Resíduos Sólidos) de Jundiaí consolidou-se como uma das experiências mais brilhantes e bem-sucedidas de recuperação de áreas degradadas dos últimos vinte anos. Indo muito além da reabilitação ambiental do antigo lixão que atendia a região, o centro tornou-se a maior referência em gestão de resíduos e reciclagem de RCD (Resíduos de Construção e Demolição), fornecendo matéria-prima de qualidade para a cidade.

Com um parque industrial completo, composto de mesas de triagem, britadores, trituradores, entre outros equipamentos, forneceu por quinze anos agregado reciclado à prefeitura a custo zero, reduzindo substancialmente a dependência de agregados naturais oriundos de pedreiras e portos de areia.
A “mágica” merece destaque: apesar do alto valor da caçamba na região, o entulho misturado exige que a unidade utilize três mesas de triagem e britagem terciária para transformar o resíduo sujo em agregado reciclado de qualidade.

Essa economia trouxe à Jundiaí um destaque na questão dos resíduos da construção, justamente onde a ideia da reciclagem foi mais exitosa no Brasil.
Dados da prefeitura apontam para uma economia de no mínimo R$ 4 milhões de reais por ano com a compra de agregados naturais e redução de coleta de pontos viciados e ações de fiscalização de aterros clandestinos.
Até 2010 a cidade contava com aproximadamente 1600 pontos viciados de descarte clandestino de lixo e entulho. Os dados de 2024 apontam para menos de 50 locais, em geral críticos com difusão de resíduos.
O Geresol reciclava mais de quinze mil toneladas de RCD por mês, gerando 60 postos de trabalho numa área de setenta mil metros quadrados.

A prefeitura obrigava o gerador (construtora) a destinar em local adequado, assim, o reflexo da boa política se dava até no setor gerador, as construtoras, que, aos poucos, racionavam os resíduos.
Na prática, o ambiente mais austero obrigava a construtora a ser mais criativa e disciplinada na gestão e separação dos resíduos no canteiro de obras.
Jundiaí, seguramente, era um oásis no interior de São Paulo, pois cidades vizinhas nunca conseguiram avançar com a gestão inteligente dos resíduos da construção, notoriamente Itatiba, Itupeva e Campo Limpo Paulista, tampouco reduzir a quantidade de entulho destinada a lixões.
Para se ter uma ideia da gravidade do cenário paulista, de acordo com um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), 48,11% das cidades paulistas não tinham áreas adequadas para o recebimento de resíduos da construção. O relatório do TCE – SP aponta uma situação caótica no estado, especialmente nas regiões metropolitanas.

O ambiente de negócio no estado de São Paulo é bem hostil, sobretudo porque o estado não tem uma agenda ambiental focada no fechamento de lixões e na promoção da destinação correta e reciclagem de entulho. O próprio plano estadual de resíduos sólidos, delegado e terceirizado ao lobby da construção civil, não teve nenhuma meta atingida desde 2020.
Porém, com a avareza das relações políticas e o avanço de uma nova classe de políticos, principalmente governadores e prefeitos que se elegem lastrados em plataformas ideológicas genéricas e populistas, o Geresol e a maior referência em resíduos da construção entraram na mira gananciosa do prefeito.
A partir de 2025 a prefeitura não apenas desmontou toda política de gestão de resíduos da construção no município, como também reduziu significativamente o consumo de agregado reciclado, aumentando o custo com a compra de agregados naturais de portos e pedreiras.
Jundiaí consumia 100% de todo agregado reciclado produzido pelo GERESOL, o que fazia da cidade de 460 mil habitantes um modelo, pois todas as obras de pavimentação, como ruas, estradas, avenidas, calçadas, parques municipais, obras de saneamento vinculadas ao órgão de água e esgoto, usavam agregado reciclado.
Essa iniciativa ganhou destaque internacional em virtude de apresentar características da gestão integrada de resíduos, ou seja, a prefeitura por meio de diversas secretarias usavam o material reciclado, dando sustentabilidade financeira e operacional ao negócio da reciclagem de RCD.
Diferente de tudo que acontece no Brasil, pois a prefeitura assumiu seu papel como promotora, sendo responsável por fazer o ciclo de todo negócio.
A base do sistema de Jundiaí na gestão do resíduo da construção e demolição era:
- Forte regulamentação do setor de transporte de resíduos, caçambas estacionárias;
- Subsídio ao pequeno gerador de resíduos, até 1m³ de RCD;
- Construção e concessão de ecopontos para pequenos geradores;
- Concessão da área de recepção de resíduos da construção;
- Recuperação de área degradada com lixo e entulho;
- 100% das obras públicas usando agregado reciclado;
O desmonte de um projeto exemplar aniquilou uma política construída em décadas que elevou a cidade de Jundiaí a premiações em nível internacional.
É muito difícil construir um modelo que consiga atender plenamente os objetivos ambientais. O trabalho é árduo e demorado.
Para destruir, é simples, fácil e muito rápido.
A política barata e fisiologista corrói o interesse público e ambiental e transfere para a população o custo da irresponsabilidade.



