Metralha ainda é problema em Caruaru

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O desenvolvimento dos centros urbanos concentra alguns problemas que interferem diretamente na qualidade de vida das pessoas. O primeiro e mais visível é a falta de políticas para o descarte de resíduos da construção civil, também conhecidos por metralha, entulhos, concreto e cerâmica. Em uma rápida vistoria por algumas ruas e terrenos baldios de Caruaru, é fácil constatar a realidade: são montanhas de metralha dividindo espaços entre calçadas e avenidas. Caso não sejam tomadas as medidas cabíveis por parte da população, como geradora da poluição, e do poder público, no que diz respeito ao tratamento correto dos resíduos, o problema continuará crescendo.

A pujança na área da construção civil é apontada como um dos vilões desse tipo de poluição, sobretudo quando não há tratamento adequado para evitar a proliferação pela cidade. Metralhas são jogadas de qualquer jeito em terrenos baldios, acostamentos de estradas e até nas margens dos rios, o que vem a prejudicar o equilíbrio ambiental. O professor e pesquisador Alexandre Henrique chama a atenção para as consequências da falta de cuidados. “Nos lugares onde são depositadas as metralhas da construção civil, vários problemas podem ser acarretados, tais como perda dos nutrientes do solo e proliferação de vetores. Já os materiais químicos, como tinta e solvente, podem ser absorvidos pelo solo, podendo penetrar nos lençóis freáticos.”

Em alguns casos, a falta de conscientização vem desde o planejamento da obra até a execução nos canteiros. A princípio, o indicado é planejar de forma adequada para que o volume de lixo produzido seja o mínimo possível. O segundo passo diz respeito aos órgãos públicos, quanto à responsabilidade de levar o lixo para um local adequado que, no caso, seria uma usina de reciclagem. “Como o custo para a implantação desse equipamento é muito alto, já ajudaria se a Prefeitura disponibilizasse um terreno para ser levado todo esse material. Assim, quando alguém precisasse desse tipo de resíduo para aterrar em construções, entraria em contato e já consumiria o material que antes não teria para onde ser levado”, pontua Alexandre. Caso houvesse a usina de reciclagem, tijolos e asfalto seriam alguns dos produtos gerados para a reutilização.

De acordo com a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), diretrizes são estabelecidas, assim como critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias para que os impactos sejam minimizados. Sendo assim, o texto diz que “os resíduos da construção civil não poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em encostas, corpos d’água, lotes vagos e em áreas protegidas por lei”. Em Caruaru não existe nenhuma lei municipal que regularize o descarte desses resíduos sólidos, o que dificulta ainda mais o problema.

Grande parte desse descuido para com o descarte dos resíduos depende da iniciativa da própria população. “Antes de se fazer uma reforma na casa, por exemplo, é preciso pensar se realmente aquilo é necessário, se as providências quanto à minimização dos impactos ao meio ambiente estão sendo tomadas”, sugere Alexandre. Porém, a iniciativa também deve partir dos arquitetos, engenheiros, mestres de obra e pedreiros. “Muitas vezes a compra de material excessivo gera o descarte de material. Infelizmente, para algumas das ações de preservação do meio ambiente ter sucesso, é necessário que se mexa no bolso das pessoas. Caso contrário, a iniciativa tem menos chances de dar errado”, completa.

Segundo Alexandre, em Caruaru, os resíduos sólidos representam cerca de 50% de todo o lixo produzido na cidade. Outro dado que chama bastante a atenção é que, na construção de três casas, a quantidade de metralha descartada corresponde à construção de uma outra. “De imediato, já deu para perceber que o primeiro de todos os prejuízos sobrecai diretamente para o bolso das pessoas. Já a longo prazo, as consequências podem ser ainda maiores, interferindo na saúde das pessoas”, alerta.

Fonte: Jornal Vanguarda | 22/12/2012

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