Há males que vem para o bem

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O Brasil vive uma escalada absurda nos preços dos combustíveis derivado do petróleo. A situação chegou a ponto de trabalhadores de transporte de cargas se manifestarem contra a política do governo nessa área exigindo a redução imediata dos preços e fechando as principais rodovias do pais.

Sinto que essa situação não seja apenas dos combustíveis, mas em geral de todos os produtos derivados de recursos minerais, como a pedra, areia, água, energia etc.

Já estamos em um momento que os custos de extração do material chegaram a um cenário terrivelmente desastroso para a economia com prejuízo direto para as camadas mais pobres.

E o que mais me impressiona é que não se cogita outras formas de energia, sendo a discussão em torno dos combustíveis apenas no preço do litro ou dos impostos sobre a gasolina, diesel e gás de cozinha.
Já é tarde para pensarmos em opções mais econômicas e ecológicas. Mais sustentáveis e menos suscetíveis. Que gerem mais benefícios sociais e ambientais.

O Etanol e biodiesel, papel reciclado, energia eólica, solar, de resíduos (CDR – Combustível Derivado de Resíduos), agregados reciclados e tantos outros materiais do setor da reciclagem e sem impacto agressivo ao meio ambiente ainda não tem uma parcela significativa no mercado.

Uma amostra desse mercado é o setor de agregado reciclado oriundo da reciclagem de resíduos da construção e demolição. Se juntarmos todo o montante de agregado reciclado produzido no Brasil, teremos um cenário desanimador e muito hostil.
Nossa cultura de consumo também precisa mudar. E necessário exigirmos políticas públicas mais sustentáveis que forneçam condições mais seguras de fornecimento de matérias primas, como, mudar nossos hábitos. Por que não pegar ônibus ou metrô para ir ao centro da cidade ou a trabalho? E necessário mesmo usar o carro todos os dias? Por que não usar agregado reciclado numa estrada rural?

Precisamos entender, recursos minerais são recursos finitos, assim, precisamos usar com muita inteligência e parcimônia, caso contrário, teremos convulsão social por uma eventual crise da água, da energia, de minérios de ferro, de agregados para a construção e assim viveremos da escassez, dependendo de políticas governamentais de subsídios sacrificando áreas importantes para a população, como saúde e educação.

Há males que vem para o bem. Esse e o ditado comum de crises e dores que perduram por um tempo.
Eu acredito que com tudo isso, pois os combustíveis desempenham papel principal no preço de alimentos, bens e serviços, sairemos mais fortes. Não podemos subestimar a capacidade do pais em fornecer ideias criativas e sustentáveis para um mercado obcecado por margens de lucro cada vez mais apertadas.

Levi Torres

Coordenador da Abrecon e colunista do Portal TEM Sustentável

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